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CONTOS
. Lágrimas
. Feio, o gato
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GATINHOS PARA ADOÇÃO:
ENCONTRE AQUI:
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Feio,
o Gato
(
Lilian Moraes )
Todos no prédio de apartamentos onde eu morava sabiam quem era o Feio.
Feio era o gato vira-lata do bairro.
Feio
adorava três coisas neste mundo: brigas, comer lixo e digamos, amor.
A combinação destas três coisas adicionada a uma vida
nas ruas tinham causado danos em Feio.
Para
começar, ele só tinha um olho, e no lugar onde deveria estar
o outro olho, havia um buraco fundo. Ele também havia perdido a orelha
do mesmo lado, e seu pé esquerdo parecia ter sido quebrado gravemente
no passado, e o osso curara num ângulo estranho, fazendo com que ele
sempre parecesse estar virando a esquina. Feio havia perdido a cauda há
muito tempo, e restava apenas um toco de cauda grosso, que ele sempre girava
e torcia.
Todos
que viam Feio tinham a mesma reação:
-"Mas
que gato feio!!"
As
crianças eram alertadas para não tocarem nele. Os adultos atiravam
pedras nele, jogavam-lhe água com a mangueira para espantá-lo,
o enxotavam quando ele tentava entrar em suas casas, ou imprensavam suas patas
na porta quando ele insistia em entrar.
Feio
sempre tinha a mesma reação. Se você jogasse água
nele com a mangueira, ele não saía do lugar, ficava ali sendo
ensopado até que você desistisse. Se você atirasse coisas
nele, ele enroscava seu corpinho magricela aos seus pés, pedindo perdão.
Sempre
que via crianças, ele surgia correndo, miando desesperadamente e esfregando
a cabeça em todas as mãos, implorando por amor. Quando eu o
apanhava no colo, ele imediatamente começava a sugar minha blusa, orelhas,
ou o que encontrasse pela frente.
Um
dia, Feio quis dividir seu amor com os huskies do vizinho. Eles não
eram amistosos e Feio foi ferido gravemente. Do meu apartamento, eu ouvi seus
gritos e corri para tentar ajudá-lo. Na hora em que cheguei onde ele
estava caído, parecia que a triste vida de Feio estava se esvaindo...
Feio estava caído em uma poça, suas pernas traseiras e suas
costas estavam totalmente disformes, um corte fundo na listra branca de pêlo
atravessava seu peito. Quando eu o apanhei e tentei levá-lo para casa,
ele fungava e engasgava, podia senti-lo lutando para respirar. - "Acho
que o estou machucando muito", eu pensei. Então, eu senti a sensação
familiar de Feio chupando minha orelha - em meio a tamanha dor, sofrendo e
obviamente morrendo, Feio estava tentando sugar minha orelha. Eu o puxei para
perto de mim e ele esfregou a cabeça na palma da minha mão,
olhou-me com seu único olho dourado e começou a ronronar. Mesmo
sentindo tanta dor, aquele gatinho feio, cheio de cicatrizes de suas batalhas,
estava pedindo um pouco de carinho, talvez alguma comiseração.
Naquele instante, achava que Feio era o gato mais lindo e adorável
que eu já tinha visto. Em nenhum momento, ele tentou me arranhar ou
morder, nem mesmo tentou fugir de mim, ou rebelou-se de alguma maneira. Feio
apenas olhava para mim, confiando completamente que eu aliviaria sua dor.
Feio
morreu em meus braços antes que eu entrasse em meu apartamento. Eu
me sentei e fiquei abraçada com ele por muito tempo, pensando sobre
como este gato vira-lata deformado e coberto de cicatrizes havia mudado minha
opinião sobre o que significava a genuína pureza de espírito
e sobre como amar incondicionalmente. Feio me ensinara mais sobre doação
e compaixão do que qualquer ser humano. E eu sempre lhe serei grata
por isto. Chegara a hora de eu seguir em frente e aprender a amar verdadeira
e incondicionalmente. Chegara a hora de dar meu amor para aqueles que me eram
caros, mesmo que meus olhos nunca tivessem visto nenhum deles.
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